Existe AVC em crianças?

As pessoas com idade superior a 60 anos apresentam maior risco de acidente vascular cerebral (AVC), mas é necessário esclarecer que essa afecção pode ocorrer em qualquer idade: em adolescentes, em crianças escolares, pré-escolares, recém nascidos e, em bebês intra úteros. Contrariamente, ao que ocorre em adultos, o diagnóstico é pouco reconhecido e tardiamente comprovado, apesar dos modernos recursos de exames por imagens.

O AVC pode ser de origem isquêmica, devido a oclusão súbita de uma artéria ou veia, hemorrágica por ruptura de vasos, resultando em dano cerebral focal ou global; na criança há possibilidade de recorrência em 30%, em função dos fatores de riscos.

As manifestações clínicas e neurológicas estão relacionadas à grupos etários, com sintomas e sinais sutis nas idades precoces (< 1 ano – 3 anos), justamente quando a incidência é mais expressiva. Nesse grupo de pacientes, os recém nascidos e lactentes não apresentam condições de revelar sintomas de alerta (alteração da consciência, dor de cabeça, tontura, distúrbio na fala, fraqueza em um lado do corpo, convulsão) fatos esses identificados no adulto. Em PS e Serviços de Emergências pode ocorrer falta de familiaridade dos profissionais para o diagnóstico de AVC, sendo, portanto, necessário a complementação da avaliação, com os estudos por imagens (tomografia de crânio, ressonância magnética e ultra som). Sempre ter em mente que, para o diagnóstico e tratamento, o fator tempo é de fundamental importância para favorecer a recuperação do cérebro. A reabilitação através de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, pedagógica e comportamental, deve ser iniciada enquanto o cérebro está em desenvolvimento. Dra. Maria Valeriana Leme de Moura Ribeiro